Contracenava. Ela não podia parar. Dama dos diálogos. Eles eram
impecáveis. Ela preenchia todas as linhas e dominava a cena. E mesmo que, em
instantes, estivesse perdendo o controle, tinha sempre uma saída nem tanto
convencional e diplomática. Tinha sistema, tinha ardência, era uma garrafa
cheia de vinho. Tinha algo dentro dela, forte. Mas isso ficava ali, naquela
superficie vaga, naquela superficie do ar. Isso a enfraquecia porque nunca
ganhava nome, cor, profundidade e letras. Só dava lugar ao vazio. Era ar.
Ela desacreditava várias vezes.
Atriz que nunca tinha subido no palco, que contracenava mesmo sozinha, o fazia para ouvir de fundo a
ovação oca e roca. Seu teatro íntimo virava ruínas e ela partia. Ia lavar a louça.
Se distraia. Graças a Deus.
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