domingo, 27 de abril de 2008

"Fácil ou Difícil?"


Começamos pelo mais simples:
Andar de bicicleta é fácil ou difícil?
Cozinhar é fácil ou difícil?
Escrever é fácil ou difícil?
Um casamento é fácil ou difícil?

Será uma questão de prática, tempo, dom ou fé?

Quando aprendi a andar de bicicleta eu bati três vezes no mesmo muro com a minha caloi ceci 0km. Por três vezes seguidas eu não usei o freio e não fiz a curva da descida. Descia a ladeira do prédio, pegava a velô, batia no muro e arrombava meu joelho. Meu pai precisou levar o pneu três vezes na loja para consertar. Não sei se três vezes é pouco ou bastante para desistir. O fato é que, na época, desistir era uma palavra que estava fora do meu vocabulário. Nada aconteceu além do joelho ralado e o clássico choro de manha e de susto. Continuei descendo a rampa e um belo dia freei e fiz a curva. Fiz isso mais de cem vezes no mesmo dia, e circulei com a bicicleta por todos os cantos largos e estreitos do condomínio, testando minha alta capacidade de pilotar a caloi ceci. Era eu, a bicicleta, e uma gangue do mesmo tamanho, que se encontrava todo dia na área da piscina para brincar.
Andar de bicicleta não foi difícil.

Quase na mesma época, aprendi a fazer café. Nos finais de semana eu sempre acordava antes dos meus pais, por causa da rotina de ir para escola de manhã cedo. Como acontece até hoje, acordava com muita fome. Eu ficava impaciente de ficar esperando um dos dois acordar para fazer o café. Depois de assistir Pequenas Empresas e Grandes Negócios e o Globo Rural, eu os acordava de mansinho para, enfim, começar o dia. Em um certo domingo minha mãe achou melhor me ensinar a passar o café. Juntar o coador, o pó, garrafa térmica, e assim comecei a me virar na cozinha e a preparar o café da manhã. Me tornei independente nas manhãs dos finais de semana e, mesmo assim, com tudo pronto eu ia acordá-los porque gostava da companhia deles. Eram sensacionais os cafés daquela época. Coisa que a gente guarda e sente falta eternamente. Na sequência fui aprendendo a fazer brigadeiro, brigadeiro com bolacha, arroz, e outras cositas. Incrível que até hoje vivo aprendendo na cozinha. Todo mundo, né?.
Esses dias liguei para Dona Zulma, a melhor cozinheira de todos os tempos e minha avó, para passar a receita da massa do empadão. e lá fui eu pra cozinha fazer. O Mauricio gostou. Eu não comi, demorei tanto pra fazer, que na hora de comer fiquei enjoada e não comi quase nada. Na minha teoria ele gostou porque nunca comeu o empadão da Vó Zulma.
Cozinhar é relativamente fácil.

Aprendi a escrever na escola, claro. Mas nunca gostei de começar uma redação. Dava uma tristeza, uma angústia, um desespero ver aquele papel todo em branco, cheio de linhas e o professor na minha cabeça ditando um tema sobrenatural (ao menos era pra mim). Dava graças a Deus quando podia terminar em casa. Pelo menos em casa eu tinha mais tempo, minha mãe ajudava e eu terminava. Era sofrido, mas no final ficava bonito e o texto construido deixava uma sensação maravilhosa. Coisa que eu não sentia, por exemplo, com uma equação matemática.
Com 18 anos resolvi, depois de não ter passado para veterinária, entrar no curso de jornalismo. Aprendi algumas coisas, mas, mais do que isso, deixei de aprender muitas outras. Tive bons professores, mas tive em maior quantidade os piores deles. Meses antes de terminar o curso, percebi que eu não escrevia. Enrolava. Peguei um diploma, comecei a trabalhar e, consequentemente, a enrolar. Sorte que nessa profissão outras habilidades contam. E, além de enrolar nos textos, realizei outras tarefas com absoluta capacidade. No meio desse tempo construí esse espaço para escrever mais. Dei um nome, pari um texto, e fui o contruindo cheio de dúvidas. Começo a escrever e desacredito naquilo tudo que eu estou escrevendo. O botãozinho do delete parece ser a única salvação. Para meu pânico a folha em branco volta a minha frente.
Uma amiga disse: E qual é o problema de deletar e começar tudo de novo?
Escrever é difícil.

Já um casamento... Não tem duas rodas, não tem receita que valha, nem livro que ensine.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Aniversários comemorados são melhores



Nada mais complicado do que fazer aniversário numa segunda-feira. A comemoração é meio borocochô, já que reunir o todo o pessoal para uma festa ou para uma cerevjinha dá muito rabalho. Para festa, não tenho grana, assim como todo mundo real. E outra: segunda-feira? Todo mundo tá ressaqueado por causa do fim de semana, e com aquela depressão clássica da segunda-feira. É o dia mais desempolgado da semana porque todo mundo sabe que ainda faltam cinco dias para a próxima folga. Sem dúvida, segunda é um dia morto para grandes festas. Mas, pois bem, meu aniversário caiu numa segunda-feira este ano, e embora eu esteja reclamando da segunda-feira, foi ótimo.
A explicação deve ser porque simplesmente eu adoro fazer aniversário. E sabe por quê? Minha mãe. Ela me deu graaandes festas. Desde pequena, 14 de abril, eu já sabia, era o único dia do ano que eu mandava, tudo era do meu jeito, todos atendiam meus desejos e a melhor festa era, definitivamente, a minha. Tinha de tudo...balão, bolo enorme, muitos docinhos, salagadinhos, gelatina, cachorro-quente, decoração inédita, muitos amigos, família inteira, roupa nova e música. Todos meus aniversários, até os doze anos pelo menos, foram muito ostentosos. Depois disso ficou difícil entender que 14 de abril era um dia qualquer. A data continua sendo minha, eu continuo querendo que tuuudo seja especial. Esse ano não foi diferente. Teve balão, pratinhos coloridos, roupa nova, velinhas e bolo. Levei um baile para comprar o pão-de-ló, mas acabei achando e as duras penas, e o enfeitei como queria: cobertura de brigadeiro e recheio de doce de leite. Nem todo mundo que eu gostaria estava comigo, e os que estavam não entendiam o estardalhaço.

Saudade de Tereza

Eu comecei com Tereza. Isso há muitos anos. Eu queria outra coisa. Eu me interessava por carroças que andavam pelas ruas de asfalto. Hoj...